segunda-feira, 4 de abril de 2016

ÓDIO AOS VERMELHOS










            Nos últimos dias algumas pessoas têm sido agredidas por vestir roupas vermelhas. Fiquei pensando sobre a origem de tal ódio. Reconhecer as suas causas pode ser matéria de pesquisa. É possível que tudo comece na propaganda. Dizia Mussolini em 1930 que tinha setenta e nove mil púlpitos que faziam propaganda de seu governo, no mundo todo. A propaganda fascista sempre foi a contrapropaganda do comunismo.
            Lembrei-me de um sermão que ouvi quando era pequena, numa missa das 8 horas, na Catedral de Caxias proferido pelo Cônego Dom João Meneguzzi. O sermão foi tão terrível que durante anos serviu para alimentar meus pesadelos. Nesta época eu teria uns cinco anos ou seis anos e era carola ia a missa diariamente, rezava o terço, acompanhava as ladainhas, enfim uma católica exemplar.  O sermão que tanto me marcou foi sobre os demônios comunistas que dominavam a Rússia. Eles tinham a cor vermelha e em sua bandeira tinham a foice e o martelo destinado a matar os inimigos, entre eles principalmente os católicos. Era o pensamento geral da Igreja vinculada ao fascismo e aos Tratados Lateranenses(1929) . O sermão teve tal impacto na minha vida, que até hoje sinto o horror que me causou.  Como resultado, comecei a ter pesadelos nos quais uma tropa de comunistas (vestidos de vermelho) corria atrás de mim com objetivo de me matar e de me comer. Comunistas eram apresentados como canibais, como os malditos indígenas que comiam os maravilhosos portugueses. Esta era a mentalidade daqueles tempos.   
            O bom padre tinha feito um bom trabalho. Estava plantando o medo contra as mudanças, representadas pelos vermelhos. Os católicos brasileiros tiveram um ótimo treinamento fascista, proporcionado pelos padres em seus sermões, bastava seguir os seus ensinamentos. Nem todos ouviram os padres, alguns ouviam os maçons, que não eram tão primários em sua doutrina.
            Lembrei-me da campanha da Igreja contra o comunismo, pois tem semelhanças com a da mídia contra o governo federal. Naqueles tempos os padres iam ao púlpito para defender suas ideais, não eram hipócritas, apenas reacionários. Hoje a mídia faz o mesmo tipo de propaganda, fingindo neutralidade.
            Hoje a  força  da mídia , e a maior de todos os tempos.Sua ação  mudou a face do Brasil, fazendo retornar aos tempos da caça aos chamados comunistas, e do ódio aos vermelhos. A mídia especialmente a televisão faz o mesmo papel que o do Cônego, mas sem de comprometer. Como diz Hand “A mão que governa o jornal, o rádio, a tela e a revista governa o país.A diferença entre a verdade e a mentira, o bem e o mal, o certo e o errado já não existe. Ela depende apenas da mediação e da determinação da mídia. Que grandioso poder!





sábado, 19 de março de 2016

ETERNO RETORNO






             Diz Nietzsche na Gaia Ciência sobre os ciclos que se repetem ‘Esta vida, como você a está vivendo e já viveu, você terá de viver mais uma vez e por incontáveis vezes; e nada haverá de novo nela, mas cada dor e cada prazer e cada suspiro e pensamento, e tudo o que é inefavelmente grande e pequeno em sua vida, terão de lhe suceder novamente”. A vida nesse sentido seria uma monótona e eterna repetição.
            Antes dele, Marx afirmou que tudo na História se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como comédia como comédia. Assim os autores afirmam que na história e na vida realmente tudo se repete. Mais uma vez se assiste rebanhos de homens microcéfalos bradando contra o governo, acusado de dono da corrupção.  Tal fato não aconteceu nem uma nem duas vezes. Pela terceira vez na história da Republica se repete o mesmo horror, de maldade, injustiça e ódio.
            Foi assim com Getulio Vargas ameaçado de ser levado a julgamento pela aeronáutica se matou. Ele tinha realizado a reforma social impondo aos empresários o salário mínimo, as férias remuneradas, a licença gestante e o décimo terceiro salário, odiado por eles. Realizava então a nacionalização do petróleo (Petrobrás) e pretendia a da eletricidade (Eletrobrás). O que parecia imperdoável para os sempre presentes liberais e pelos microcéfalos por eles dirigidos.
             Foi assim também com João Goulart acusado de comunista por desejar realizar as reformas de base que a sociedade então exigia. Quem não se lembra da repugnante parada da família pela propriedade patrocinada pela Igreja Católica (pré Concilio Vaticano II), na qual a população acusava o maior estancieiro do Brasil de comunista, sendo mais tarde assassinado pela Ditadura. A grande imprensa teve o mesmo papel ,nos dois golpes contra a democracia.
            Como afirma Nietzsche que neste mundo se está limitado a fatos, que se ocorreram no passado, ocorre no presente e ocorrerão no futuro.  Como as guerras, as epidemias, e os golpes contra a democracia.
            O que hoje está acontecendo com a Presidente Dilma, já foi aconteceu com Hugo Chaves, Evo Morales, José Manuel Balmaceda, Salvador Allende e outros tantos cujos nomes não cabem no espaço desta coluna. O que eles tem de comum ? A tentativa de melhorar a sociedade com uma melhor distribuição de renda. Este também é o crime do atual governo. Não é o povo que esta nas ruas, mas a classe média, sempre na contracorrente da História.
            Uma lástima que a extrema direita ávida pelo poder não suporte as escolhas do povo. Agora a armação do golpe é mais forte, contando com o apoio do Quinto e do Quarto poderes, auxiliados pelo Partido da Justiça (leia-se Moro e PSDB) e pela quadrilha do maior partido brasileiro. Parabéns ao Exército pela isenção ! È uma pena, pois quem sofre com tal campanha é a economia e o povo brasileiro.  Uma pena que pela terceira vez na minha vida tenha de assistir mais um golpe contra a democracia. Não há quem aguente o eterno retorno na vida e na História!


sábado, 12 de março de 2016

SOBRE A FESTA


         








   Não se pretende aqui fazer uma crítica ou um elogio à Festa da Uva  de 2016,que parece ter sido um sucesso.O ponto que se pretende refletir  é outro ou seja o da identidade da festa.A questão que se propõe  é : a  festa é da uva ou da imigração italiana?
            Há várias festas da uva   no país,  como ,por exemplo, a de São Roque e a de Jundiaí ambas  em São Paulo. As festas daqueles lugares são realmente festas da uva, o que não acontece aqui.As festas daqui faz muito tempo que deixaram de ser da  uva.Tornaram-se um misto de feira industrial ,festa agrícola e  de comercio varejista . Da uva restou o nome da rainha e uma exposição do produto, cada vez menos significativa.  
            A análise dos cartazes e sua evolução pode ser um exercício interessante, tanto das novas tecnologias gráficas como das mudanças dos significados da uva na Festa. O cartaz deste ano, por exemplo, tem como figura central um colono (por sinal é a cara da atual presidente da Festa) já as uvas aparecem na base do pôster como mera decoração. Os cartazes na década de cinquenta eram pequenos folhetos com a imagem de um cacho de uva monocromático. A uva tem reduzido sua força nos cartazes de divulgação. Neles impera o produtor, o mítico imigrante O assunto daria uma tese muito interessante..
            A questão que se propõe é: por que se mantém a confusão entre o produto (uva ) e o produtor  (colono imigrante )  da festa?Trata-se de saber quando começou o culto ao imigrante. Ao que tudo indica, as mudanças se deram aos poucos. Nos primeiros tempos a figura do imigrante não aparecia. Em 1931,quando Joaquim Pedro Lisboa, (grande líder maçônico) pensou numa festa que representasse a economia regional, a escolha só poderia ser o vinho e a uva. Os imigrantes então apenas produziam a uva, não sendo  cultuados como mitos fundadores de Caxias.Não há menção deles nas primeiras festas.
            Aos poucos a uva (e o vinho) deixou de ser a grande estrela da economia, a indústria metalúrgica tomou o lugar da de bebidas. As maiores empresas da cidade ainda são de oriundi, que segundo a crença geral enriqueceram com o trabalho. O mito teve inicio com Abramo Eberle, com a pequena casa de madeira encarapitada na moderna indústria de então. Com ele teve inicio a crença que o trabalho enriquece.  Caxias virou uma colmeia de abelhas loucamente operosas.
            A perda do lugar da uva na festa que leva seu nome começou em 1965, com a inserção da feira industrial no mesmo espaço que ela. Era o poder da indústria que passava a se manifestar. Começa o culto ao imigrante, em decorrência das comemorações do centenário da imigração. Depois foi a vez do comercio e a Festa virou uma tenda de venda de artigos variados.
            Em 1975 ocorreu a grande inversão quando o produtor passou a substituir o produto. Desde então o produtor tomou o lugar do produto, o imigrante roubou o lugar da uva. Não seria hora de repensar  a Festa, dando a Cesar o que é de Cesar?  
           


sábado, 5 de março de 2016

A REFORMA DA NATUREZA


         












   Monteiro Lobato sem dúvida foi o melhor escritor de livros infantis do Brasil. Alguns de seus personagens vivem até hoje na televisão como se tivessem sido criados, para o programa O sitio do Pica-pau amarelo.  Um dos seus mais extraordinários personagens é a boneca Emilia,  dona de  um falador e uma imaginação imbatíveis.
             No livro A reforma da Natureza, Emília resolve retocar a natureza de acordo com seu gosto, tendo como auxiliar sua amiga Rã. A boneca criou uma série de seres reformados como o passarinho-ninho; o livro comestível; o porco magro; o bule que apita; as abóboras nascidas na jabuticabeira e as jabuticabas nascidas no pé de abóbora; o mosquito cantor; moscas sem asas. E por fim a reforma da vaca Mocha, que ganhou uma torneirinha em lugar de suas tetas para tirar seu o leite com mais facilidade. Algumas  são interessantes outras nem tanto.Hoje as reformas de Emilia  se tornaram possíveis.
            Agora a  natureza pode ser modificada,graças a  uma técnica chamada Crispr-Cas9, (abreviatura de Clustered regularly-interspaced short palindromic repeats )  que pode fragmentar o DNA, procariótico,  que contem repetições,podendo assim  ser inserido em outro DNA . A descoberta das cientistas Jennifer Anne Doudna (americana) e Emmanuelle Marie Charpentier (francesa) deve em breve, ganhar o premio Nobel. Nada mais justo, pois a técnica por elas inventada apesar de simples é essencial para a genética.A técnica permite recortar e colar os códigos  genéticos de uma espécie  em outra.Assim é possível  modificar tudo até   espécimes da raça humana,  tornando-os mais bonitos ou mais inteligentes. As implicações éticas são muitas, mas estas nunca impediram o avanço da ciência.
            Não há como negar a ciência atingiu tal nível de avanço, que até a pouco seria matéria de ficção científica, tornando possíveis coisas antes inimagináveis. Tais técnicas permitem até a  inserção de uma cabeça humana no corpo de uma mosca, e vice-versa. Os espantosos fatos mostrados no filme A mosca de cabeça branca baseado em conto de George Langelaan ,  pode ser repetido na vida real.
            Outra descoberta recente permite que sejam ouvidos os ruídos das ondas gravitacionais, previstas por Einstein há mais de um século. Mais uma novidade, o ouvido pela primeira vez se tornou um sentido importante para ciência. De um modo geral às experiências dependiam da visão e  do olfato. Antes, a audição era  usada pelos artistas e  pelos médicos para auscultar os pulmões dos seus pacientes ! Com a nova descoberta a audição  se tornou essencial ,para auscultar o passado!
            Por falar em artistas eles tem o dom da imaginação, criando e inventando objetos inexistentes. Segundo Einstein:” A imaginação é mais importante que a ciência, porque a ciência é limitada, ao passo que a imaginação abrange o mundo inteiro.” Como afirmou Julio Verne ”Tudo o que uma pessoa pode imaginar outras poderão fazê-lo na realidade. “Tais afirmações  não são  ficções ,  mas a mais pura realidade. Não é incrível?


sábado, 27 de fevereiro de 2016

AMANTES





  • Jeanne Becu, Madame du Barry - Madame du Barry Photo (2711948 ...
    Madame Du Barry






            Elizabeth Abbott escritora americana  escreveu um livro de grande sucesso, com o nome Amantes a história da outra.Nele ela conta  por meio de biografia a história  de mulheres  que viveram o papel da outra , não a esposa legal.  Este tipo de relação estável  existiu desde sempre,basta ler a Bíblia e as histórias dos reis que elevaram à nobreza suas amantes favoritas.Na Inglaterra de  Henrique VIII a Charles o herdeiro do trono inglês,todos tiveram seus amores fora do casamento.Os reis franceses foram imbatíveis em enobrecer suas  favoritas. Há até  amantes que se tornam esposas, sendo aceitas pela melhor sociedade, basta lembrar Camilla Parker Bowles.
            As amantes são uma constante na história, sendo permitidas em algumas culturas e não em outras. Na China Antiga as concubinas eram aceitas como parte da família, já na antiga Roma o adultério se tornou   crime,  as amantes foram postas no ostracismo. A outra só poderia ser uma prostituta. O direito brasileiro que  herdou a hipocrisia romana   e durante séculos reduziu as amantes à condição de amásia .
            Nesta semana que passou, no Brasil, estourou mais um escândalo político.Foi quando a ex-amante de um ex-presidente  resolveu botar a boca no trombone , revelando por algum motivo desconhecido a forma de pagamento por ela recebido dele. Por falar em presidentes brasileiros a maioria absoluta deles teve seus amores extraconjugais, sem escândalos, conhecidos pelo mundo e da imprensa, que se calava resguardando as  conhecidas malandragens . Poucos deles se salvam. O problema não é propriamente a relação ilegal (que pode até ser legitima), mas o envolvimento  econômico altamente discutível. Mais um ídolo de pés de barro, por acaso existem os que não têm?
            Para que haja um caso extraconjugal são necessários dois. No entanto o homem nunca é considerado o outro, apenas para a mulher é reservada tal condição. Hoje  muitas mulheres casadas tem seus amantes,inclusive  alguns sendo por elas mantidos.. Procure na Internet, não há relação de amantes homens, apenas de mulheres. Num tempo no qual as mulheres tem agido como os homens, sendo promiscuas como  eles e trocando   de parceiro como quem troca de roupa, nem assim conseguiram superar a condição de ser a outra. É o total domínio do machismo! 
            Hoje no mundo dos eufemismos em que se vivem, as amantes se passaram a chamar namoradas, os amantes por sua vez tomaram o nome de namoridos, não passam de amasios ou amantes, com novo nome. Nada mais é que uma  união  estável sem a chancela oficial. Outrora se dizia “eles juntaram os trapos”.Como disse Balzac “É mais fácil ser-se amante que marido, pela simples razão de que é mais difícil ter espírito todos os dias do que dizer coisas bonitas de quando em quando.” Ou como afirmou  a expert no assunto Marilyn Monroe : Maridos são bons amantes principalmente quando estão traindo as esposas.” A pobre Ruth que o diga!


sábado, 20 de fevereiro de 2016

FESTAS







<b>pintura</b> simples em uma casa <b>de</b> prostituição em pompéia <b>pinturas</b>
PINTURA DE POMPEIA
 


    Como disse Bakhtin: “Toda palavra é ideológica e toda utilização está ligada à evolução ideológica”, também a palavra festa está eivada de ideologia. Não há analise melhor da festa popular do que a feita por ele sobre os festejos populares. O autor distinguiu a festa oficial da festa popular, uma  seria e formal e a outra  livre e alegre.  A palavra festa tem muitos sentidos, significa ao mesmo tempo solenidade, comemoração e celebração.  Festa é antes de tudo uma reprodução do cotidiano, uma ação coletiva, que se dá num tempo e num lugar definidos, que se concentra num objeto simbólico, sua unidade se dá pela identidade. As festas têm seus ritos e suas regras, é um tipo de um jogo destinado à reiteração, ou seja, a reprodução das identidades sociais. A festa também é uma estrutura de poder, regida por interesses de grupos. Como as palavras as festas também não são neutras, são carregadas de ideologia, tendo objetivos  que nem sempre  são os   aparentes.
  •             Cada festa tem seu rito. Para que uma festa tenha um rito os seus participantes deve representar um papel, que deve ser alegre e desinibido. Nos aniversários, por exemplo, o rito essencial é o aniversariante soprar as velhinhas do bolo e os demais cantarem os parabéns!Uma festa pode incluir música, dança fantasias e comida. Nas festas há os que olham e os que dirigem. Não é o povo que faz a festa, mas quem a patrocina. A festa é um espetáculo, mas, ao contrario dele exige a participação ativa daqueles que dela participam. Ser espectador de uma festa é fazer parte dela. Assistir ao jogo do poder é dele participar
                No carnaval oficial o rito é o desfile das escolas de samba. No carnaval de rua o rito é o movimento de dança, de música do povo que dela participa. Há um mundo de diferença entre o os dois desfiles. Um é a catarse, o outro o formalismo.  È enorme a distancia  entre o  carnaval  da Sapucaí e os festejos de Olinda,agora patrocinado por um empresa de bebida.
                Uma festa oficial promovida por uma empresa seja publica ou privada, visa o lucro, não a alegria da população. Ao recorrer a espaços fechados e pagos as festas vão se distanciando cada vez mais do povo. O Sambódromo é um bom exemplo disso. As festas oficiais não unificam, reúnem os diferentes por pouco tempo.  A festa em geral é uma consagração da desigualdade, reproduzindo as mesmas relações sociais que regem o sistema. Não há nada como uma boa festa, não é verdade?
       A palavra festa deriva do latim tardio, passou a ser usada apenas  no século XIII, significando dia santificado ,de descanso  e de regozijo. A palavra está mais ligada a Igreja Católica do que aos antigos festivais romanos, os quais tinham um nome próprio, como os banquetes, as bacanais, as saturnais e as orgias. Hoje se dá nome de festa às solenidades patrocinadas pelo Estado, mas existem também festas privadas.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

VESTIDA DE FESTA


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FESTA DA UVA DE 1932  PRAÇA DANTE







  Caxias quando se aproxima a Festa da Uva  e se enfeita, melhor dito é enfeitada ao sabor e ao gosto de cada  administração municipal. Cada uma delas tem seu modo  de ser e de organizar . Algumas delas  com resultados altamente discutíveis. Poucas se preocuparam em saber o que já foi feito e o que deu certo e o que não deu. Assim é inventada a roda toda vez. Dá mais trabalho reinventar a roda ou estudar o que jo foi feita? A imagem da cidade e a da festa tem mudado mais de lugar do que estilo. Na falta de imaginação do  que mudar, muda-se o  lugar.
            A primeira Festa da Uva  documentada  data de 1906, segundo Buccelli no livro Viagem ao Rio Grande do Sul  ela teria sido realizada em Caxias .Ele  não informa o local do evento. Frei Rovilio Costa escreveu que quando se lavavam as pipas para o vinho novo sempre era feita uma festa em família. Talvez a festa da uva tenha nascido destes eventos, ou das festas báquicas dos romanos, quem pode  saber ao certo.
            Durante a década de vinte algumas festas da uva  foram  realizadas  no Quartel.Há noticias que em 1925 foi realizada uma destas festas  pois sua noticia chegou ao governo italiano, que ficou feliz em saber que havia na região colonial uma comemoração tão típica dos festejos italianos.Tal evento ocorreu  por ocasião das comemorações do cinquentenário da chegada dos imigrantes italianos ,quando foi inaugurado também o Parque Cinquentenário .
            A contagem das festas a partir da década de trinta foi uma questão de economia, pois estas estavam documentadas e registradas. As festas da década de trinta se realizaram na Praça Dante, onde foram erguidos pavilhões. Os desfiles não tiveram inicio nas primeiras festas da uva, parecem ter origem nas  Festas das Flores,  aqui realizadas durante o corso momesco. Não é por acaso que os desfiles alegóricos da Festa tomaram o nome de corso. Na década de quarenta não ocorreram as festas por conta da Segunda Guerra. De repente os pobres colonos, produtores de uva, passaram a ser considerados inimigos do Brasil e como tal impossibilitados de festejar.
            Na década de cinquenta a Festa foi transferida para a baixada, vizinha ao campo  do Juventude, lugar onde por décadas  se situou a zona  dos tambos de leite da cidade. No final da década foram construídos os primeiros pavilhões permanentes da Festa, onde hoje está a Prefeitura Municipal. Até 1975 as Festas foram lá realizadas. Na mesma época foi construído o parque dos Macaquinhos. Em 1975 em comemoração do centenário da imigração foram construídos os novos pavilhões, que  se mantém até hoje. Apesar das várias mudanças do lugar da Festa os desfiles continuaram sendo realizados próximos da  Praça.
  Na Festa de 2016  os desfiles foram exilados para a rua  Plácido de Castro, contra a vontade da população.  A Festa ao longo do tempo mudou de lugares, como a cidade mudou de fisionomia. A imagem da cidade hoje é a de um canteiro de obras, do qual não retiraram nem  o pó.Uma lástima!

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