sábado, 20 de junho de 2015

MUITOS NOMES

















            Caxias recebeu muitos nomes em seus 140 anos de existência. O primeiro deles foi Campo dos  Bugres . Aqui viviam há centenas de anos os índios caáguas. Em 1628,  segundo estudos ( discutíveis ) do Padre Rambo, os caáguas teriam  matado o padre espanhol Cristóvão de Mendoza ,que passava pela região,em Água Azul,hoje  Santa Lucia do Piau.Isso a quase 400 anos. Em Março de 1864, Antônio Machado de Souza fez uma viagem de São João de Montenegro a São Francisco de Paula. A pequena expedição composta por oito membros durou 51 dias. Esta mesma expedição atravessou o que foi chamado Campo dos Bugres, hoje Caxias. Quando os imigrantes chegaram a Colônia, ao  mandar cartas aos parentes na Itália colocavam na sua procedência  o exótico nome   de  Campi dei Bulgueri, literalmente Campos dos Búlgaros.
Na época de sua criação em 1875, foi chamada de colônia aos fundos de Nova Palmira Em 1877, a Comissão de Terras deixou a Primeira Légua e se estabeleceu no travessão Santa Tereza. Durante alguns anos a sede da Colônia foi chamada de Santa Tereza, mais tarde recebeu o nome de sede Dante, em homenagem a Dante Alighieri, mas o nome da colônia prevaleceu.
            Os atos oficiais dos administradores coloniais  continuaram por anos a chamar o núcleo urbano de  Sede Dante ou de  Santa Teresa de Caxias. Seu nome poderia ter evoluído para Santa Teresa, Dante Alighieri ou Campo dos Bugres, mas nada disso aconteceu e a colônia passou a ser chamada de Caxias.  Em 12 de abril de 1884, Caxias deixou a condição de colônia tornando-se  distrito de São Sebastião do Cai ,sendo  chamado então  de freguesia de Santa Teresa de Caxias  e  5º  distrito de paz do município de Cai.  
 Quando Caxias foi declarada município, manteve  o nome da colônia. O seu núcleo continuava a ser chamado de Vila de Santa Tereza de Caxias, mas de forma geral foi se consolidando o nome de único de Caxias, válido tanto para a sede municipal como para o município. Em novembro de 1898  ao ser elevada a sede da comarca ainda levava o mesmo  nome,sendo  dividida em três distritos: a sede Vila de Santa Teresa de Caxias, o distrito de Nova Trento e o de Nova Milano.
        O nome Caxias dado a Colônia foi uma homenagem a Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias (1803-1880), principal militar brasileiro do século XIX.   O nome Caxias do Sul é mais recente, sendo estabelecido pelo  Decreto nº 720,  de 29 de dezembro de 1944.   Havia três cidades com o nome Caxias: a mais antiga delas era Caxias das Aldeias Altas, do Maranhão; a outra era Caxias do Rio de Janeiro e a mais nova  Caxias era a Rio Grande do Sul. Pela Lei duas das cidades homônimas deveriam mudar de nome.  Sendo a mais jovem Caxias passou a ser do Sul. Desde então o nome permaneceu.  
Durante muitos anos foi conhecida como Pérola das Colônias, alcunha dada por Julio de Castilhos. Nunca outra alcunha durou tanto tempo. De qualquer forma a cidade se tornou um polo metal mecânico pouco romântico e as alcunhas não mais duraram.


sábado, 13 de junho de 2015

ESTRADA DE FERRO












Há 105 anos, no dia 10 de junho foi inaugurada a estrada de ferro ligando Caxias ao restante dos pais. No mesmo dia a Vila de Caxias  foi elevada à condição de cidade. Foram dois marcos fundamentais para o progresso da região.. As distancias diminuíram e a fisionomia do Estado mudou. Com a chegada da ferrovia as velhas estradas coloniais foram deixadas de lado. Ninguém mais precisava ir para São Sebastião do Cai tomar um barco para ir a Porto Alegre. O trem encurtou as distancias e facilitou as viagens.
Muitas regiões como Nova Milano, como o Porto de Guimarães deixaram de ter importância. Feliz deixou de ser pouso e estagnou regiões que tinham pousos, casa de negócios, aos poucos foram sendo deixadas de lado. O fluxo de tráfego entre São Sebastião e Caxias deixou de existir de uma hora para outros,as companhias de navegação aos poucos fecharam suas portas.A antiga estrada ficou com apenas com o tráfego local. Fica difícil imaginar Caxias sendo menor do que São Sebastião do Cai, mas já foi seu 5 distrito.
Com a construção da estrada tudo mudou. Houve um deslocamento geral da economia centralizando-se na ferrovia e em suas estações. De um dia para outro surgiram novas localidades ao longo da ferrovia, como as de Nova Vicenza, Desvio Rizzo, Desvio Blauth Nova Veneza, Forqueta entre tantas outras.
A história de Nova Vicenza (hoje Farroupilha) então distrito de Caxias é paradigmática. Nova Milano era um centro comercial, por ela passava a estrada que ligava Caxias a São Sebastião, lá existiam pensões grandes casas de negócio sendo a sede do 1º distrito de Caxias. Em pouco tempo a estrada de ferro levou ao comércio, as pensões para Nova Vicenza, e a estação inaugurada em 1908, fez com que o distrito fosse nela sediado e em poucos anos se tornou um município.. Muitos negociantes alemães do vale dos Cai se instalaram em Nova Vicenza que se um centro de comércio de produtos coloniais. Enquanto Nova Milano parou no tempo.
A cada mudança dos caminhos corresponde a uma mudança econômica, são as estradas que trazem o progresso e transformam as regiões. A ferrovia fez com que as empresas se instalaram ao longo de seu percurso. Novas empresas foram criadas Empresas ligadas aos mercados consumidores ,não mais apenas Porto Alegre,  mas com o centro do Pais. A elevação de Caxias à cidade por outro lado trouxe novas repartições públicas, cartórios, coletorias e órgãos do poder judiciário, como o fórum. Trouxe ainda   a possibilidade de novos empregos públicos e privados nas novas empresas e nas antigas que passaram a se expandir.
 Tudo mudou quando a estrada de ferro deixou de ser o caminho do progresso. Quando fecharam o mais barato meio de transporte o substituindo pelo rodoviário mais caro e arriscado. Alguns estados mantiveram o transporte ,como São Paulo. Foi à inépcia dos governos do Rio Grande que acabou com as ferrovias gaúchas Incrível, até com o trem conseguiram terminar.


sábado, 6 de junho de 2015

QUERÊNCIA










              Há palavras e termos que só existem no Rio Grande do Sul,isso se deve ao fato de seu território ter pertencido a Espanha até 1777.Não é de admirar que muitas palavras nem aparecem em dicionários brasileiros .Querência ,uma das palavras mais usadas nos pampas gaúchos ,por muitos sua  origem é  desconhecida.Alguns afirmam que é palavra derivada   de “querer”,  e que caracteriza o amor que o gaúcho tem pela sua terra.Na verdade a origem é outra.
              Querencia (sem acento) palavra usada no jargão das touradas significava literalmente:”Na Praça (de Touros) o lugar onde os touros se dirigem mais frequentemente”.Mais tarde passou a significar a tendência que tem certos animais em voltar para o lugar onde se criaram. Há até um provérbio que diz: O cavalo procura sempre voltar à querência”. Muito depois o que valia para os animais passou a valer para os homens. Hoje seu  significado se resume ao lugar onde se nasceu. Há ainda o verbo querenciar que significa parar ou entreter com conversa,ou seja  agradar.
              No Mato Grosso onde vivem milhares de gaúchos,  foi fundada uma  cidade   que leva o nome de Querência, revelando  que é possível mudar de pagos. Querência foi usada como sinônimo de pago. Seu sentido, porém não é o mesmo, enquanto querência é o lugar onde se nasceu, pago é o lugar onde se reside.A cidade de Mato Grosso deveria ter sido chamada de  Pago.
              Há na Internet vários dicionários de gaúchos que merecem ser lido com atenção. Algumas palavras que se usam normalmente podem ter sentido bem diverso, daquele que a elas se atribui. Lembro que meu neto, quando pequeno ao visitar São Paulo ficou escandalizado quando foi chamado de pivete, para os paulistanos significa o mesmo que guri. Coisas do Brasil grande e vário em seu falar.
              È muito difícil sair pelo mundo e ficar longe de sua querência. Ir embora do lugar onde se nasceu é uma forma de luto. Pobres imigrantes!  Como dizem os versos de Biguá e Benedito Seviero:
E hoje eu vivo,
Bem distante da querência
Minha velha residência
Ficou bem longe daqui.
Pra aliviar, esta minha dor tirana
Quero voltar pra choupana,
No sertão onde eu nasci...

Como diz outro poeta: “Querência: desejar algo intensamente, pela falta súbita que faz. Alguns chamam de saudade.” Ou seja, querência é uma saudade infinita.





sábado, 30 de maio de 2015










O amor e a fé são os sentimentos mais elevados do ser humano. Ambos tem sido manipulados e usados contra ele. Fé é crença em algo ou alguém, sem necessidade de comprovação. A crença não tem dúvidas ela é movida pela certeza.  Por este motivo é antagônica à ciência que vive da dúvida. Quem tem fé nutre uma paixão pelo sagrado, vive na esperança de outra vida e de outro mundo melhores.
Maria a mãe de Jesus é uma daqueles seres que desperta a fé. Há inúmeros de nomes dados à Senhora, uma rápida pesquisa revela que pelo menos 127 são a ela atribuídos. A lista começa com Nossa Senhora da Abadia e termina com a da Vitória, passando pela do Livramento, das Brotas e da Achiropita entre muitas outras. Em cada lugar há uma aparição e um lugar de devoção.Há uma verdadeira distribuição geográfica das devoções à mãe de Cristo. Será coincidência?
            Desde o inicio do povoamento da colônia Caxias os colonos italianos, tinham fé em Nossa Senhora em seus vários nomes. O mais importante centro de devoção era, e é o de Nossa Senhora de Caravaggio, cujo começo data do  século XV . Em Caravaggio (hoje Farroupilha) ano após ano cresce o numero de romeiros, chegando em alguns anos a 600 mil. Este ano foram 257 mil romeiros. Diz à lenda que na colônia Caxias naquele ano a seca era inclemente, (cada 11 anos o fenômeno se repete) os colonos reunidos fizeram uma procissão carregando a imagem de Nossa Senhora de Caravaggio pedindo o fim da seca, logo a chuva caiu.Logo a fama do milagre correu. A imagem tinha sido trazida da Europa,  em 1879 foi erguida uma capela, começam as romarias,  e foram tantas que em 1929 a capela foi elevada a Santuário.
 A crença teve inicio na pequena cidade de Caravaggio, na Itália (hoje diocese de Cremona), no dia 26 de maio de 1432,quando Joaneta, uma pobre camponesa maltratada pelo marido, viu uma bela senhora, uma rainha. A região  estava sendo palco da segunda guerra entre Veneza e Milão. A Senhora entrega para Joaneta uma mensagem (como sempre acontece nas aparições) para que diga ao povo que volte a fazer penitência, jejue nas sextas-feiras e ore na igreja no sábado à tarde em agradecimento pelos castigos afastados e pede que construída uma capela. Para provar o milagre faz brotar uma fonte de água (que existe até hoje),que cura. Pouco depois pela ação da vidente a paz é feita entre as cidades. Tal modelo se repete mais tarde em Lourdes!
Entre as igrejas cristãs a Católica é a única que tem o costume de coletar objetos sagrados (as relíquias) e santificar mortais pecadores.  È a única que venera santos transformando homens comuns em exemplos dignos de ser seguidos. Como dizia o padre Miguel Hidalgo, um dos líderes da revolução mexicana: “muitos dos santos canonizados estão no inferno”, mas, para os que têm fé isto não importa, basta apenas  acreditar. E por incrível que pareça a fé continua  realizando milagres!



sábado, 23 de maio de 2015

LIMITES








Diz Fernando Pessoa “O que não tem limites não existe. Existir é haver outra coisa qualquer, e, portanto cada coisa ser limitada.” Há pessoas e são muitas que já não tem limites, no entender Pessoa não existiriam.  O que vem a ser limite? È um palavra polissêmica, uma palavra com muitos significados. Pode ser entendida como:linha que marca o fim de uma extensão : linha comum entre dois países ou terrenos contíguos ; ação de colocar um termino  em determinada ação ,entre muitos  outros.
Uma pessoa sem limites é a que não sabe onde termina sua liberdade e onde começa a do outro. È aquele  que pensa que é dono do mundo e que faz tudo o que tem vontade.Não estou falando de bandidos ,nada disso são pessoas comuns, que não respeitam o outro,que já não conhecem seus limites.
   Contou-me uma amiga, que na escolinha aonde vai seu neto há um menininho (tem três anos) que bate em todos e machuca muitos dos coleguinhas. As mães se reuniram para por um fim ao domínio de terror do pequeno monstro. Mas sua mãe não comparece, porque seu filho não tem problemas. Na verdade o filho não tem problemas ele apenas causa problemas em todo o grupo. Contaram-me também que o pequeno deu um tapa na cara do próprio pai, que apenas riu.
È a inexistência de limites que causa da corrupção, o desvio de verbas, a violência doméstica e uma série de outros delitos. As crianças criadas sem limites se tornam adultos perigosos, tanto para si mesmo como para a sociedade.
 Toda esta introdução tem por fim falar das medidas impostas pelo Shopping San Pelegrino aos menores, proibindo sua entrada desacompanhados de responsáveis, nos finais de semana.Medida difícil se ser entendida, pois contraria a liberdade de ir e vir,  com certeza vai reduzir a frequência ao local. A Direção tem direito de impor tal medida ,por outro lado é um claro  sintoma do tipo de indivíduo que esta sendo formado, que não sabe se comportar em público.“O apetite do ser humano não se contenta dentro de nenhum limite; deseja sempre ultrapassar o ponto em que se encontra. (Boccacio) O resultado é o do velho ditado  espanhol  que diz :” Cria corvos e eles te arrancarão os olhos









domingo, 17 de maio de 2015

IMIGRAÇÃO: 140 ANOS











 O passado é lembrado de várias formas, e os feitos históricos são celebrados de forma aleatória. O passado lembrado não é o vivido, o comemorado nem sempre é o real. Muitos contraventores são celebrados como vultos históricos e muitos heróis são esquecidos.Tudo depende dos seguidores no presente.Para cada presente há um passado diferente. Fazem  140 que os  migrantes italianos chegaram à colônia  Caxias.
            Em meados do século XX a imigração italiana para o Rio Grande do Sul era ignorada. A Segunda Guerra (1939-1945) colocara os velhos parceiros Brasil e Itália em campos opostos. Até o imigrantes de mais de três gerações passaram a ser  considerados inimigos e alguns  pobres colonos foram presos por falar o dialeto.Os caxienses foram  criados com a noção de serem brasileiros , os italianos  não tinham nada de ver com eles. Afinal havia sido proibido de falar o dialeto que aos poucos fui sendo esquecido.
Em 1925 fora comemorado o cinquentenário da imigração com o apoio do governo italiano liderado por Mussolini, foi uma grande festa para poucos. Em 1950 esta celebração já havia sido esquecida,foi então que começou a mudança.Quando foi comemorado o 75º aniversario da imigração, foi lançado um excelente álbum comemorativo da efeméride mas o evento não chegou ao povo. A inauguração do Monumento Nacional ao Imigrante em 1954 foi um marco na história regional. Caxias foi perdoada pelo Brasil, pelo crime de ter sido povoada por imigrantes italianos. Como se o fato de ser pobre e colono tivesse fosse um crime e um opróbrio.
Tudo mudou em 1975 por ocasião das comemorações do centenário da imigração. Foram feitas várias comemorações e realizações. O prefeito Mario Bernardino Ramos esteve à frente das celebrações e das ações, nunca o poder público se envolveu tanto em uma efeméride. Para encurtar a história que é longa e daria um livro, basta lembrar que então ocorreu a transferência da antiga Prefeitura (onde hoje é o Museu Municipal) para os pavilhões da Festa da Uva, onde se encontra até hoje. Foi inaugurado o novo parque da Festa da Uva, foi reinaugurado o Museu Municipal, criado o Arquivo Municipal, o Museu da Casa de Pedra, a Orquestra Sinfônica de Caxias, entre outros. Foi lançado o Álbum do Centenário que até hoje serve de fonte histórica.Nunca se produziu tanto em tão pouco tempo.Há outros eventos  ,  mas espaço é pequeno para tantas realizações.  Foi sem dúvida o momento mais brilhante da historia de Caxias. Então souberam celebrar o passado. Depois dessa data nada mais se fez!

De lá para cá muita coisa mudou. Discutiu-se a validade das comemorações sobre a imigração, se os italianos foram ou não os povoadores da Colônia Caxias. Foram inventados outros povoadores.Querendo ou não , foram os colonos italianos que povoaram Caxias, com o patrocínio do governo imperial,não houve outros. Foram os imigrantes italianos que construíram Caxias. Uma Caxias de todos é muito bonito, mas é outra coisa. Tomara que o aniversário da imigração a ser comemorada em 2025 exceda o de 1975. Pois desde então só houve simulacros!  O evento merece ser celebrado e comemorado.

sábado, 9 de maio de 2015

TURISMO & VIVÊNCIAS









          Há viagens e viagens. Não me refiro a viagens psicodélicas, mas formas diferentes de fazer turismo. Há o turismo das grandes empresas que levam os extasiados turistas para ver as maravilhas da natureza ou das melhores construções humanas de todos os tempos.Há as viagens feitas com menos gastos e muito elucidativas sobre como vivem as populações locais.
        Em 1991 quando o cruzado tinha valor igual ao dólar, fizemos uma longa viagem a Europa foi 33 dias, dos quais dormimos 22 noites em trens, e o restante em hostais baratos ou em casas de família. Os host eis(assim mesmo) ou hostais  assim chamados na Espanha (contandas  na Itália) são pouco mais do que casas de famílias com alguns quartos  para alugar. A vantagem de parar nesses lugares é imensa, pois se convive com a população.   Enquanto “as empresas levam os turistas a conhecer hotéis (de cinco estrelas) e ônibus do turismo receptivo, o turismo’ caseiro” ou comunitário revela com o vivem e como pensam os habitantes de cada lugar.
     Foi parando em casas de família, que fiquei sabendo como os húngaros odiavam os russos. Ainda que não falássemos uma única palavra de sua língua. O velho engenheiro, no apartamento do qual paramos alguns dias, com o auxilio de um dicionário nos deu aulas sobre a política nacional.         Conseguimos assim conhecer por dentro casas do século XIX ,reformadas para os confortos do século XX.Dormimos com cobertas de penas de ganso, em cozinhas transformadas em quartos. Conhecemos alguns espanhóis franquistas que nos trataram como macacos.  Em Florença pude falar algumas frases em dialeto da colônia daqui e ser entendida pela dona da contanda. Enfim, experiências (e foram muitas) que não podem, nem poderiam ser vivenciadas em hotéis,nem em grandes excursões. Como destaca Goethe: ”Não chegamos a conhecer as pessoas quando elas vêm a nossa casa; devemos ir a casa delas para ver como são.” Garanto que outras são as vivências.
O que não significa que as companhias turísticas não fazem maravilhosas excursões, sem problemas nem percalços. São ótimas viagens para quem quer se divertir. Já as viagens planejadas de forma diferente tem outras vantagens e outras visões da realidade.Enfim podemos dizer como Millôr Fernandes : “Como são admiráveis as pessoas que nós não conhecemos bem, mas que conhecemos mais de perto”.
   Li noticias sobre um novo tipo de turismo que está sendo feito na Bahia,com hospedagem em casas de famílias e com roteiros definidos pelos moradores locais. Deve ser um turismo maravilhoso, pois deve revelar coisas que nunca conheceríamos se lá não fossemos.  Aqui na região tão pródiga em belezas ,algo semelhante poderia ser feito. Com grande vantagem e alegria para os envolvidos. Pois,como afirma Lincoln: ”Não te esqueças de que os estranhos são amigos que ainda não conheces.”